Romeu e Julieta e Bibi lideram indicações ao Prêmio Cesgranrio

A encenação de Romeu e Julieta recebeu oito indicações (Foto: Felipe Panfili)

Bibi, Uma Vida em Musical, espetáculo sobre a trajetória da atriz Bibi Ferreira, e Romeu e Julieta, adaptação da peça de William Shakespeare conjugada com músicas de Marisa Monte, lideram entre os concorrentes ao primeiro semestre ao Prêmio Cesgranrio – cada espetáculo recebeu oito indicações. O júri – formado por Carolina Virgüez, Daniel Schenker, Jacqueline Laurence, Lionel Fischer, Macksen Luiz, Rafael Teixeira e Tania Brandão – também contemplou outras encenações: A Ordem Natural das Coisas, CérebroCoração, A Vida não é um Musical – O Musical, Maria!, Insetos, O Imortal, A Vida ao Lado, Nuon e O Homem no Espelho.

Indicados:

Espetáculo – Bibi, Uma Vida em Musical, A Ordem Natural das Coisas, Romeu e Julieta

Direção – Enrique Diaz e Renato Linhares (CérebroCoração), Leonardo Netto (A Ordem Natural das Coisas), Tadeu Aguiar (Bibi, Uma Vida em Musical)

Atriz – Beatriz Bertu (A Ordem Natural das Coisas), Gisele Fróes (O Imortal), Mariana Lima (CérebroCoração)

Atriz em Teatro Musical – Amanda Acosta (Bibi, Uma Vida em Musical), Daniela Fontan (A Vida não é um Musical – O Musical), Stella Maria Rodrigues (Romeu e Julieta)

Ator – Claudio Mendes (Maria!), João Velho (A Ordem Natural das Coisas), Marcelo Olinto (Insetos)

Ator em Teatro Musical – Chris Penna (Bibi, Uma Vida em Musical), Claudio Galvan (Romeu e Julieta), Leo Bahia (Bibi, Uma Vida em Musical)

Texto – Cristina Fagundes (A Vida ao Lado), Leandro Muniz (A Vida não é um Musical – O Musical), Leonardo Netto (A Ordem Natural das Coisas)

Direção Musical – Apollo Nove (Romeu e Julieta), Jules Vandystadt (O Homem no Espelho), Tony Lucchesi (Bibi, Uma Vida em Musical)

Cenografia – Daniela Thomas (Romeu e Julieta), Dina Salem Levy (CérebroCoração), Natália Lana (Bibi, Uma Vida em Musical)

Figurino – Eduardo Giacomini (Nuon), João Pimenta (Romeu e Julieta), Dani Vidal e Ney Madeira (Bibi, Uma Vida em Musical)

Iluminação – Beto Bruel (CérebroCoração), Monique Gardenberg e Adriana Ortiz (Romeu e Julieta), Paulo César Medeiros (Maria!)

Categoria Especial – Andréa Jabor (pela preparação corporal de Insetos), Cia. Bondrés (pelos 10 anos de atividade em pesquisa de máscaras balinesas), Gustavo Gasparani e Eduardo Rieche (pela adaptação e roteiro musical de Romeu e Julieta)

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Desafios de um teatro repleto de lacunas

Daniel Rocha e Hugo Bonemer em Frames, em cartaz na Casa de Cultura Laura Alvim (Foto: Cadu Silva)

Franz Keppler apresenta – em Frames, Nossa Diferença Liberta – fragmentos de histórias abertas a possibilidades de apropriação por parte de cada espectador. Sem a preocupação de fechá-las numa única interpretação, o autor opta por uma estrutura lacunar. De acordo com o modo como surgem dispostos em cena, os textos parecem caminhar da manifestação da subjetividade ao contundente impacto do caos da cidade grande sobre os indivíduos. O mundo externo ganha relevância crescente ao longo da encenação, atualmente em cartaz na Casa de Cultura Laura Alvim, a julgar não “só” pelo material escrito como pela faixa sonora destacada no decorrer da sessão.

Mesmo considerando que a separação entre a estrutura e o conteúdo de uma obra seja um reducionismo, a montagem dirigida por Camila Gama e Sandro Pamponet prioriza o formalismo da cena em detrimento de uma aproximação entre os conflitos que assombram os personagens e os espectadores. As questões trazidas à tona nos textos – centrados, em perspectiva generalizante, na importância de perceber, respeitar e se dedicar ao outro – não reverberam de maneira particularmente vigorosa no público (com exceção da sensível interação entre os amigos em Era pra ser só uma Festa).

O estado de suspensão, os silêncios preenchidos, o texto do não-dito, se diluem em meio ao andamento acelerado do espetáculo. A montagem oscila entre a valorização do enigmático, do insinuado, e a evidenciação de um discurso claro, frontal, diante da plateia. De certa forma, esse contraste é realçado pelos diretores, mas o meio-termo entre os extremos faz alguma falta. Ainda assim, Frames propicia ao público uma experiência instigante.

Com cenografia (de Hugo Bonemer e Sandro Pamponet) e figurinos (de Rafael Menezes) básicos, neutros, a montagem tem na iluminação (de Renato Machado), que domina a espacialidade com tonalidades intensas, um elemento bastante expressivo. Daniel Rocha e Hugo Bonemer revelam sintonia e entrosamento, estabelecendo contracena fluente. Revezam-se em diferentes personagens sem recorrerem aos tradicionais vícios de composição.